- Tesla registra pior trimestre em dois anos com forte queda.
- Vendas do Cybertruck decepcionam e ações desabam em 2025.
- Concorrência chinesa pressiona Tesla e ameaça liderança global.
A Tesla vive seu pior trimestre em mais de dois anos, segundo números divulgados nesta quarta-feira. A montadora entregou 336.681 veículos no primeiro trimestre de 2025, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado, o que marca um momento crítico para a gigante dos carros elétricos.
O desempenho fraco confirma uma tendência negativa iniciada em 2024, quando a Tesla registrou queda anual nas entregas pela primeira vez em mais de uma década. Ainda assim, a empresa manteve o título de maior fabricante global de veículos elétricos, com 1,79 milhão de unidades entregues no ano passado.
Apesar da liderança, os sinais de desgaste são claros. A Tesla enfrenta queda na demanda, atrasos em lançamentos e forte concorrência internacional, principalmente de fabricantes chineses como a BYD, que em março vendeu mais veículos eletrificados do que a Tesla em todo o trimestre.
Os analistas já previam um relatório negativo. Em fevereiro, a Tesla viu suas vendas caírem 76% na Alemanha, reflexo da perda de fôlego global. O mercado europeu, antes receptivo, agora acompanha com ceticismo os passos da montadora.
O Cybertruck, aposta recente da empresa, não teve o desempenho esperado. Segundo dados da Cox Automotive, as vendas do modelo caíram pela metade entre setembro e fevereiro, mostrando que o interesse inicial não se sustentou. O modelo ainda é caro, de nicho e não atrai o grande público.

Crise na Tesla
O sedã Model 3 recebeu uma reformulação no ano passado, mas isso não foi suficiente para impulsionar os resultados. Já o Model Y, carro mais popular da Tesla, passou por uma atualização neste trimestre, o que pode ter adiado compras, já que clientes esperam pelas novas versões.
A própria Tesla admitiu que as mudanças nas linhas do Model Y causaram perda de semanas de produção nas quatro fábricas globais. Mesmo assim, a empresa produziu 26 mil carros a mais do que entregou, revelando um estoque crescente que preocupa investidores.
Além das dificuldades operacionais, a Tesla sofre forte impacto da imagem de seu CEO, Elon Musk. A associação direta de Musk com o governo Trump e seus métodos controversos tem afastado potenciais compradores, segundo pesquisas recentes.
Protestos contra a Tesla se espalharam por várias lojas no mundo, refletindo o desgaste da imagem pública da marca. Ao mesmo tempo, as ações da empresa despencaram mais de 30% apenas em 2025, com nova queda de 2% após a divulgação dos números.
A concorrência também pressiona. Empresas como BYD inovam rapidamente, oferecendo veículos mais acessíveis, eficientes e com novas tecnologias. Enquanto isso, a Tesla ainda não lançou o modelo acessível prometido há anos, que poderia atrair um público mais amplo.
Diante desse cenário, a Tesla corre o risco de perder sua posição de liderança se não agir com agilidade. A empresa que antes ditava o ritmo do mercado de carros elétricos agora precisa recuperar sua relevância em um setor que evolui a cada trimestre.