- Bonobos ajustam comportamento com base no conhecimento humano.
- Estudo sugere que primatas possuem aspectos da teoria da mente.
- Experimento reforça cognição avançada dos bonobos em interações.
Em um laboratório da Universidade Johns Hopkins, três bonobos escreveram um novo capítulo na compreensão da inteligência animal.
Os Pesquisadores Luke Townrow e Christopher Krupenye descobriram que esses primatas — parentes evolutivos mais próximos dos humanos — podem ser capazes de inferir quando um humano não sabe onde está escondida uma recompensa, ajustando seu comportamento para “comunicar” a localização.
O estudo sugere que os bonobos possuem traços de teoria da mente, habilidade até então considerada exclusivamente humana.
A teoria da mente é essencial para muitas interações humanas, permitindo que as pessoas infiram o que os outros sabem e ajustem suas ações com base nisso.
Embora haja indícios de que alguns animais possuam essa habilidade de forma limitada, as evidências são inconclusivas.
Como os bonobos ajudaram (e enganaram) os humanos
O experimento, simples e engenhoso, usou três copos plásticos e guloseimas.
Um pesquisador escondia a comida sob um dos copos, enquanto um segundo humano — o “parceiro” — tentava adivinhar a posição correta para entregá-la ao bonobo.
A diferença crucial: em alguns testes, o parceiro via onde a comida estava (atrás de uma divisória transparente); em outros, ficava alheio (com divisória opaca).
Quando o parceiro não sabia a localização da comida, os bonobos apontaram para o copo correto oito vezes mais rápido e frequente do que quando o humano estava ciente.
Um dos três primatas, batizado de Teco, apontava compulsivamente em todas as situações — mas ainda assim intensificava os gestos diante da ignorância alheia.
Os resultados indicam que os animais não apenas entendem a tarefa, mas também deduzem o estado mental do parceiro.
O comportamento, observado em ambiente controlado, ecoa situações selvagens onde bonobos emitem alertas diferenciados conforme a consciência de ameaças por parte do grupo.
Apesar do avanço, o teste envolveu apenas três bonobos e uma dinâmica artificial (copos plásticos não existem na natureza).
Além disso, a “teoria da mente” observada é rudimentar — restrita a contextos de cooperação por comida, sem indícios de empatia complexa ou planejamento estratégico.
Outro ponto crítico: Teco, o bonobo “impaciente”, destacou a individualidade animal.
Seus gestos excessivos, mesmo na divisória transparente, sugerem que fatores de personalidade podem influenciar os resultados.
Isso significa que apesar dos indícios, mais estudos são necessários.