Bonobos podem entender situações e ajudar humanos, sugere estudo

Por Luciano Rodrigues
Imagem: Dall-e
  • Bonobos ajustam comportamento com base no conhecimento humano.
  • Estudo sugere que primatas possuem aspectos da teoria da mente.
  • Experimento reforça cognição avançada dos bonobos em interações.

Em um laboratório da Universidade Johns Hopkins, três bonobos escreveram um novo capítulo na compreensão da inteligência animal.

Os Pesquisadores Luke Townrow e Christopher Krupenye descobriram que esses primatas — parentes evolutivos mais próximos dos humanos — podem ser capazes de inferir quando um humano não sabe onde está escondida uma recompensa, ajustando seu comportamento para “comunicar” a localização.

O estudo sugere que os bonobos possuem traços de teoria da mente, habilidade até então considerada exclusivamente humana.

A teoria da mente é essencial para muitas interações humanas, permitindo que as pessoas infiram o que os outros sabem e ajustem suas ações com base nisso.

Embora haja indícios de que alguns animais possuam essa habilidade de forma limitada, as evidências são inconclusivas.

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Como os bonobos ajudaram (e enganaram) os humanos

O experimento, simples e engenhoso, usou três copos plásticos e guloseimas.

Um pesquisador escondia a comida sob um dos copos, enquanto um segundo humano — o “parceiro” — tentava adivinhar a posição correta para entregá-la ao bonobo.

A diferença crucial: em alguns testes, o parceiro via onde a comida estava (atrás de uma divisória transparente); em outros, ficava alheio (com divisória opaca).

Quando o parceiro não sabia a localização da comida, os bonobos apontaram para o copo correto oito vezes mais rápido e frequente do que quando o humano estava ciente.

Um dos três primatas, batizado de Teco, apontava compulsivamente em todas as situações — mas ainda assim intensificava os gestos diante da ignorância alheia.

Os resultados indicam que os animais não apenas entendem a tarefa, mas também deduzem o estado mental do parceiro.

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O comportamento, observado em ambiente controlado, ecoa situações selvagens onde bonobos emitem alertas diferenciados conforme a consciência de ameaças por parte do grupo.

Apesar do avanço, o teste envolveu apenas três bonobos e uma dinâmica artificial (copos plásticos não existem na natureza).

Além disso, a “teoria da mente” observada é rudimentar — restrita a contextos de cooperação por comida, sem indícios de empatia complexa ou planejamento estratégico.

Outro ponto crítico: Teco, o bonobo “impaciente”, destacou a individualidade animal.

Seus gestos excessivos, mesmo na divisória transparente, sugerem que fatores de personalidade podem influenciar os resultados.

Isso significa que apesar dos indícios, mais estudos são necessários.

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Jornalista, assessor de comunicação, escritor e comunicador, com MBA em jornalismo digital e 12 anos de experiência, tendo passado também por alguns veículos no setor tech.
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