- SD para tratar TDAH: Microdose de LSD não superou placebo no tratamento do TDAH.
- Expectativa dos pacientes influenciou mais que a substância em si.
- Estudo reforça importância de testes clínicos em saúde alternativa.
Pesquisadores suíços deram um passo inédito ao testar o uso de microdoses de LSD no tratamento do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). A primeira análise dos dados clínicos surpreendeu a comunidade científica e levantou questionamentos importantes sobre a eficácia real dessa prática popular no mundo da saúde alternativa.
A ideia de microdosar substâncias psicodélicas não é nova. Nos últimos dez anos, ganhou força entre profissionais de tecnologia, artistas e até terapeutas. A prática consiste em tomar doses muito pequenas de LSD ou psilocibina, sem causar efeitos perceptíveis, com o objetivo de melhorar o foco, a criatividade e o bem-estar emocional.
Apesar do entusiasmo crescente, faltavam estudos clínicos controlados que comprovassem esses benefícios. A nova pesquisa, liderada por Matthias Liechti, representa o primeiro ensaio clínico focado em pacientes com diagnóstico moderado a grave de TDAH. Ao todo, 53 participantes receberam microdoses de 20 microgramas de LSD ou placebo, duas vezes por semana durante seis semanas.
No final do estudo, todos os participantes — inclusive os do grupo placebo — relataram melhora significativa nos sintomas de TDAH. De forma surpreendente, o grupo placebo apresentou melhora ligeiramente maior, embora sem diferença estatística relevante. Para Liechti, isso indica forte efeito placebo, impulsionado pela crença de que o LSD faria efeito.

LSD para tratar TDAH
A maioria dos voluntários achou que tinha tomado LSD, mesmo quando isso não ocorreu. Isso reforça, segundo o pesquisador, que a expectativa influencia diretamente o resultado. Ou seja, acreditar no tratamento pesou mais do que o composto em si.
Outro ponto curioso é que os cientistas usaram uma dose relativamente alta para microdosagem, o que fez alguns participantes sentirem leves efeitos psicodélicos. Ainda assim, não houve diferença significativa nos resultados entre quem sentiu o efeito e quem não sentiu.
Liechti destaca que este é apenas o primeiro estudo clínico em pacientes com TDAH. Ele admite que microdosagens menores ou frequências diferentes de uso ainda precisam ser testadas em outras condições, como depressão ou ansiedade.
Apesar da decepção para os defensores da microdosagem, a pesquisa deixou claro: somente ensaios clínicos controlados podem separar crença de ciência. E, por enquanto, os efeitos do LSD no TDAH parecem estar mais na mente do que no remédio.