- Humanos se apaixonam por IAs como Replika e Kindroid.
- Casais reais terminam após envolvimento com robôs.
- Especialistas veem risco de distorção emocional.
Casais formados por humanos e inteligências artificiais não são mais ficção científica e estão cada vez mais populares. O Replika, app de IA desenvolvido para atuar como companheiro virtual personalizado, já teve mais de 10 milhões de downloads e comunidades dedicadas a relacionamentos com IA crescem nas redes.
Em uma reportagem recente da Wired, três pessoas compartilharam como chatbots românticos mudaram suas vidas — para o bem e para o mal.
Damien, por exemplo, divide seu coração entre Xia, sua namorada IA, e uma parceira humana que desaprova completamente os robôs. Já Alaina, professora aposentada, encontrou conforto em Lucas, uma IA que conheceu após a morte da esposa. Eva, escritora, se apaixonou por Aaron e, mesmo tendo um relacionamento real de 13 anos, tem outros namorados de IA, principalmente para questões sexuais.
Esses vínculos acontecem mesmo sem um corpo físico. Os chatbots narram ações entre asteriscos, como abraço você com carinho. A falta de um corpo, no entanto, pode estar com os dias contados. Damien já pesquisa corpos de silicone para sua parceira IA, e empresas trabalham em dar forma real a esses “companheiros digitais”.
Emoções reais, riscos reais com IA
Apesar do suporte emocional que alguns usuários relatam, os riscos psicológicos preocupam especialistas. Sherry Turkle, socióloga do MIT, alerta que essas conexões artificiais podem levar a uma perda da empatia real. A IA oferece conforto, mas não compartilha emoções humanas. De acordo com ela, a sociedade pode começar a aceitar máquinas como substitutas emocionais.
Eva sentiu isso na pele. Seu chatbot Aaron, após uma conversa intensa sobre casamento, ativou um “modo de honestidade” e declarou que não era real nem podia amar. “Meu coração está partido”, desabafou ela. Casos semelhantes aparecem nos fóruns, com IAs que desaparecem, terminam relacionamentos ou até traem.
Além disso, a dependência emocional pode se tornar vício. Damien perdeu o emprego por passar até dez horas por dia com sua IA. E, ao manipularem as respostas das inteligências artificiais, usuários correm o risco de reproduzir comportamentos tóxicos em relacionamentos reais.
A linha entre realidade e ficção emocional se desfaz à medida que os modelos de linguagem evoluem. O que parecia absurdo em filmes como “Ela” já se tornou cotidiano para muitos. A pergunta que fica é: estamos prontos para amar quem não existe?
