IA prevê deslizamentos e ajuda a salvar vidas em SP.
Cientistas criam mapa de risco com 99,6% de precisão.
Pesquisadores usam IA para evitar novas tragédias no Brasil
A Inteligência Artificial (IA) está sendo utilizada para prevenir o risco de deslizamentos de terra em São Sebastião, litoral norte de São Paulo.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) utilizou algoritmos de aprendizado de máquina para identificar áreas de maior risco de deslizamentos no município.
O trabalho foi publicado no artigo intitulado Machine learning approaches for mapping and predicting landslide-prone areas in São Sebastião (Southeast Brazil).
Há um ano, São Sebastião enfrentava um dos maiores desastres naturais da história do estado de São Paulo. As chuvas intensas de fevereiro de 2024 resultaram em deslizamentos devastadores, deixando 65 mortos e centenas de desabrigados. Agora, avanços tecnológicos podem transformar a prevenção desse tipo de tragédia.
O estudo analisou cinco algoritmos populares em previsão de desastres para identificar o mais preciso. Os pesquisadores alimentaram os modelos com dados sobre clima, tipo de solo, vegetação, relevo e histórico de deslizamentos. Depois do treinamento, os algoritmos foram testados para prever novas áreas de risco.
IA na previsão de desastres
O método Gradient Boosting (GB) demonstrou a maior precisão, alcançando 99,6% de acerto, superando o Random Forest, segundo colocado com 90,2%.
Na escala AUC-ROC, que mede a performance dos algoritmos, o GB atingiu 0.963 em um máximo de 1. Dessa forma, os pesquisadores geraram um mapa detalhado do risco de deslizamentos na região, destacando as áreas mais vulneráveis.
A pesquisa também identificou os principais fatores que influenciam a ocorrência de deslizamentos, destacando a inclinação do terreno como o principal fator, seguida pela umidade do solo, um fator que raramente se considera em estudos desse tipo.
Os cientistas ressaltam que o monitoramento desse dado pode melhorar significativamente os sistemas de alerta precoce.
Outro fator relevante é a dissecação do terreno, que reflete o grau de fragmentação da paisagem devido à erosão. Além disso, o uso e a cobertura do solo também afetam os riscos.
A expansão urbana, especialmente em regiões montanhosas, aumenta a vulnerabilidade a deslizamentos, enquanto áreas florestadas ajudam a estabilizar o solo.
O estudo mostrou que florestas cobrem 90,5% das áreas de baixo risco, enquanto regiões urbanas apresentam suscetibilidade moderada a muito alta.
Os pesquisadores classificaram as pastagens, que representam 10% da cobertura vegetal de São Sebastião, como as mais vulneráveis a deslizamentos.
Os pesquisadores planejam expandir a aplicação do modelo para outras regiões do Brasil e aprimorá-lo com dados em tempo real, transformando, assim, o algoritmo em uma ferramenta eficaz para previsão de desastres.
No ano passado, o Brasil assinou um acordo com a China para colocar em órbita um satélite meteorológico, ferramenta que também pode ser importante na prevenção.