Congresso de bolso cheio: Emendas Parlamentares crescem 11 vezes em 9 anos e complicam gestão orçamentária no Brasil

Por Luciano Rodrigues
Emendas Parlamentares crescem 11 vezes em 9 anos e complicam gestão orçamentária no Brasil - Imagem: Dall-E

Nos últimos anos, o cenário das emendas parlamentares no Brasil passou por uma transformação significativa. Após uma mudança na Constituição que tornou obrigatório o pagamento dessas emendas, o valor destinado aos congressistas para direcionar recursos aumentou drasticamente. Em 2015, esse montante era de R$ 3,4 bilhões, mas em 2023, a previsão é que chegue a R$ 37,8 bilhões, um aumento impressionante de mais de 11 vezes em menos de uma década.

Ao longo dos últimos nove anos, deputados e senadores tiveram controle sobre a destinação de R$ 213 bilhões do orçamento público.

Esse crescimento acentuado das emendas evidencia o crescente poder dos parlamentares na gestão dos recursos do país, uma vez que mais de 20% de todo o orçamento público agora está reservado para essas emendas.

Esse aumento no controle parlamentar sobre o orçamento traz consigo uma série de desafios para a administração pública, já que a crescente destinação de recursos via emendas dificulta o governo federal a equilibrar suas contas e investir em outras áreas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura.

Comparado a países desenvolvidos, onde o controle parlamentar sobre o orçamento é mais restrito, o Brasil se destaca por uma liberdade muito maior dos congressistas na alocação de recursos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os parlamentares têm controle sobre apenas 2% dos recursos livres, ou seja, 10 vezes menos que no Brasil.

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Por outro lado, as emendas parlamentares desempenham um papel importante na distribuição de recursos para diferentes regiões do país, promovendo o desenvolvimento local e atendendo demandas específicas.

No entanto, esse processo também é marcado por problemas de fiscalização e transparência, especialmente após a criação das chamadas “emendas PIX” em 2019.

Essas emendas permitem que deputados e senadores enviem recursos para municípios sem precisar detalhar a finalidade do gasto, o que pode facilitar o mau uso do dinheiro público.

Mudança nas Emendas PIX

Diante da pressão para melhorar a transparência, o Supremo Tribunal Federal (STF) interveio recentemente, travando temporariamente o pagamento de recursos oriundos dessas emendas.

Como resposta, os Três Poderes chegaram a um acordo que obrigará os parlamentares a detalharem antecipadamente como os recursos serão utilizados, o que deve aumentar a fiscalização e transparência, permitindo mais eficiência no uso do dinheiro público.

Isso é de extrema importância, já que a transparência é fundamental para que órgãos responsáveis e mesmo a população possa fiscalizar as ações do governo, tanto Executivo quanto Legislativo, visando impedir atos de corrupção, desvio de verbas e superfaturamentos.

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Jornalista, assessor de comunicação, escritor e comunicador, com MBA em jornalismo digital e 12 anos de experiência, tendo passado também por alguns veículos no setor tech.
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