- ChatGPT gera passaporte falso e acende alerta global.
- Inteligência artificial desafia sistemas de verificação digital.
- Fraudes com deepfake expõem falhas na segurança online.
Imagine conseguir um passaporte falso em cinco minutos, pronto para burlar fronteiras como num episódio de Breaking Bad.
Boris Musielak, empreendedor de tecnologia, decidiu fazer esse teste e conseguiu.
Ele usou o ChatGPT-4o para gerar um passaporte falso quase perfeito. Depois, compartilhou o resultado no LinkedIn, onde acendeu um debate acalorado sobre segurança digital e uso da inteligência artificial. A publicação viralizou em poucas horas.
Musielak levantou um ponto importante: os processos de verificação de identidade usados por bancos e plataformas digitais ainda são eficazes? Ou se tornaram vulneráveis diante de novas tecnologias? O passaporte gerado pela IA chamou atenção pela precisão nos detalhes, com formatação e layout idênticos ao documento original.
Usuários da rede social ficaram divididos. Alguns criticaram a atitude, enquanto outros elogiaram a agilidade do processo em comparação com ferramentas tradicionais, como o Photoshop. Um deles afirmou que, com a IA, criar documentos falsos se torna tão simples quanto pedir uma pizza.
A ameaça invisível dos deepfakes
A demonstração de Musielak não parou no passaporte. A discussão se ampliou para o uso da IA em fraudes mais complexas, como clonagem de rostos, vozes e vídeos. Ainda mais, tudo isso com potencial para enganar sistemas bancários e de imigração que ainda usam selfies como forma principal de autenticação.
Ele mesmo admitiu que o documento pode falhar em sistemas que utilizam leitura de chip, como os usados para imigração online. No entanto, alertou para o crescimento das fraudes digitais e defendeu o uso de soluções mais seguras, como o NFC.
“O risco de fraude com seus dados aumentou drasticamente”, disse Musielak à Cybernews. Para ele, a saída envolve adotar tecnologias de identidade digital à prova de IA generativa, como o eID e autenticação por aproximação.
Empresas como Fraud.net e Sensity já desenvolvem ferramentas para barrar o avanço dos deepfakes. Segundo especialistas, se os sistemas de verificação não evoluírem, golpes com documentos falsos podem se tornar ainda mais comuns.
ChatGPT recusa novo pedido
Pouco tempo depois da publicação viral, o mesmo experimento foi tentado novamente. Mas dessa vez, o ChatGPT rejeitou o pedido, afirmando que não cria documentos falsos nem ajuda em práticas ilegais.
A resposta automática sugere que a OpenAI aplicou filtros adicionais após a repercussão negativa do caso, ainda assim, a polêmica segue viva nas redes.