Cientistas encontram planta ‘indestrutível’ que pode ajudar humanos a colonizar Marte

Por Cássio Gusson
Cientistas encontram planta indestrutível que pode ajudar humanos a colonizar Marte. Foto: Dall-e

A exploração de Marte é um dos grandes objetivos da ciência espacial moderna. A busca por respostas sobre a possibilidade de vida fora da Terra e a curiosidade humana em desvendar os mistérios do universo impulsionam essa missão.

A colonização do Planeta Vermelho, que outrora parecia um sonho de ficção científica, está se tornando uma realidade tangível. No entanto, um dos maiores desafios é encontrar espécies que possam sobreviver e prosperar nas condições extremas de Marte.

Recentemente, a descoberta de organismos terrestres capazes de suportar ambientes hostis trouxe novas esperanças para a colonização marciana. Entre esses organismos, destaca-se o musgo Syntrichia caninervis, uma planta notável por sua resiliência em alguns dos locais mais inóspitos da Terra.

Encontrado em desertos ao redor do mundo, incluindo o Tibete e a Antártica, este musgo pode sobreviver a condições que seriam letais para quase todas as outras formas de vida.

Musgo pode viver em Marte

A pesquisa conduzida por Xiaoshuang Li e sua equipe no Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang, na China, revelou o potencial do Syntrichia caninervis como um candidato viável para a colonização de Marte.

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O musgo foi submetido a uma série de testes rigorosos para avaliar sua capacidade de resistir às adversidades do ambiente marciano. Os resultados mostraram não apenas a robustez do musgo, mas também abriram novas perspectivas sobre a utilização de organismos extremófilos em missões espaciais.

O Syntrichia caninervis é capaz de sobreviver em temperaturas extremamente baixas. Ele foi armazenado a -80°C por cinco anos e em nitrogênio líquido a -196°C por um mês, demonstrando uma capacidade impressionante de regeneração após esses períodos prolongados de congelamento. Além disso, o musgo suportou doses elevadas de radiação gama, que são uma preocupação significativa em Marte devido à fina atmosfera do planeta.

Embora os resultados sejam promissores, ainda há desafios significativos a serem superados. Um dos principais problemas é a presença de percloratos no solo marciano, compostos químicos altamente tóxicos e corrosivos. A interação do Syntrichia caninervis com esses compostos ainda não foi testada.

Além disso, como apontado por David Eldridge, da Universidade de New South Wales, o musgo poderia sobreviver, mas não prosperaria sem algum alívio das temperaturas extremas e da desidratação constante.

Apesar das limitações, as características do Syntrichia caninervis abrem portas para várias aplicações potenciais em missões de colonização de Marte. Uma das principais vantagens é sua capacidade de realizar fotossíntese, o que poderia ser fundamental para a produção de oxigênio em um ambiente marciano.

Além disso, o musgo poderia servir como um micro-habitat para outras formas de vida extremófilas, criando um ecossistema rudimentar que poderia ser estudado para entender melhor as interações biológicas em condições extraterrestres.

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Sharon Robinson, da Universidade de Wollongong, sugere que o musgo poderia fazer parte de um sistema maior de bioengenharia, onde múltiplas espécies trabalham em conjunto para criar um ambiente mais sustentável. A pesquisa contínua em astrobiologia e biotecnologia será crucial para determinar como melhor utilizar este e outros organismos extremófilos em futuras missões interplanetárias.

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Jornalista especializado em tecnologia, com atuação de mais de 10 anos no setor tech público e privado, tendo realizado a cobertura de diversos eventos, premiações a anúncios.
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