- Missão MayaSat-1 levou sementes de cannabis ao espaço.
- Objetivo é observar mutações causadas por radiação extrema.
- Experimento pode ajudar futuros cultivos em bases lunares.
A cannabis acaba de entrar para a lista de experimentos enviados ao espaço. Na última semana, cientistas lançaram a missão MayaSat-1, a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX, com cerca de 150 sementes de cannabis, além de outras 980 amostras, para uma jornada de três voltas ao redor da Terra.
A decolagem ocorreu em 23 de junho, a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. A incubadora foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Genoplant, na Eslovênia, mas foi a Martian Grow que decidiu enviar sementes de cannabis para o espaço.
O experimento faz parte da iniciativa Missão Possível 2025 e busca entender como a radiação e a microgravidade afetam organismos vivos. A Martian Grow, idealizadora do envio das sementes, acredita que a cannabis pode desempenhar papel fundamental em projetos futuros de colonização lunar e marciana.
Božidar Radišič, líder da Martian Grow, afirmou em uma entrevista a Wired:
Mais cedo ou mais tarde, teremos bases lunares, e a cannabis, com sua versatilidade, é a planta ideal para abastecer esses projetos. [Cannabis] pode ser uma fonte de alimento, proteína, materiais de construção, têxteis, cânhamo, plástico e medicamentos. Não acredito que muitas outras plantas possam nos fornecer tudo isso.
A missão atingiu 520 km de altitude, superando a Estação Espacial Internacional. A escolha da órbita polar visou aumentar a exposição à radiação, mais intensa nos polos por causa do campo magnético terrestre.
Cannabis mostra resiliência única para o cultivo fora da Terra
A Cannabis sativa L. é uma planta conhecida por sua resistência. Suporta radiação ultravioleta e gama, cresce em diversos climas e exige pouca água. Além disso, produz mais de 550 compostos químicos, entre eles o THC e o CBD.
Por isso, Radišič aposta que o espaço pode revelar novas variações genéticas da cannabis. A Agência Internacional de Energia Atômica já registrou mais de 3.400 novas variedades vegetais criadas por mutação induzida por radiação.
Com o retorno da cápsula, a Universidade de Liubliana vai analisar as sementes em laboratório. A meta é descobrir mutações ou adaptações que possam favorecer o cultivo da planta em ambientes extremos como a Lua ou Marte.
O estudo também contribui para o avanço de pesquisas agrícolas no espaço. Afinal, cultivar alimentos fora da Terra será essencial para futuras colônias espaciais. A experiência com a cannabis pode indicar quais espécies vegetais têm maior potencial de adaptação e como usá-las em missões de longa duração.
