- Urina se transforma em material para ossos e dentes.
- Levedura geneticamente modificada produz hidroxiapatita.
- Processo é barato, sustentável e escalável.
Pesquisadores deram um passo surpreendente na medicina regenerativa. Cientistas descobriram como transformar urina em material capaz de reparar ossos e dentes. O avanço promete reduzir custos e oferecer uma solução sustentável para procedimentos médicos e odontológicos.
O estudo, publicado na revista Nature Communications, foi liderado por cientistas do Lawrence Berkeley National Laboratory, com apoio da Universidade da Califórnia em Irvine e da Universidade de Illinois Urbana-Champaign.
O segredo está na produção de hidroxiapatita, um mineral natural formado por cálcio e fósforo. Esse composto é o principal componente dos ossos e do esmalte dentário, sendo amplamente utilizado em cirurgias de reconstrução e na odontologia para fortalecer dentes danificados.
Atualmente, produzir hidroxiapatita em laboratório custa caro, pois exige células específicas chamadas osteoclastos, difíceis de cultivar fora do corpo. Porém, a equipe encontrou uma alternativa muito mais prática e econômica.
Eles modificaram geneticamente uma levedura chamada Saccharomyces boulardii, que já possui a capacidade de acumular minerais no interior de seu corpo, na chamada vacúola. Com as alterações genéticas, essa levedura passou a transformar cálcio e fósforo presentes na urina em hidroxiapatita.

Urina em material para reparar ossos
Os cientistas batizaram a levedura modificada de “Osteoyeast”. Ela consegue gerar 1 grama de hidroxiapatita para cada quilo de urina processada. E a expectativa é que essa eficiência aumente conforme os pesquisadores aprimoram o processo.
Além de criar biomateriais, a tecnologia pode ajudar no tratamento de esgoto. As estações poderiam usar o sistema para gerar receita vendendo hidroxiapatita, enquanto removem de forma mais barata e eficiente os resíduos líquidos.
Para se ter uma ideia, em uma cidade como São Francisco, produzir 1 quilo de hidroxiapatita custaria apenas US$ 19 (R$ 104,40). No mercado, esse mesmo material é vendido por valores entre US$ 50 e US$ 200 (R$ 275 a R$ 1.100).
O projeto, apelidado de “pee-cycling”, não apenas reduz custos, mas também oferece uma solução ambiental. Em vez de descartar a urina como resíduo, o processo a transforma em um recurso valioso para a saúde humana.
Se implantada em larga escala, essa tecnologia poderá revolucionar tanto a medicina quanto o saneamento básico, criando um ciclo sustentável e economicamente viável.
