- Diagnóstico com 99,1% de precisão em tumores cerebrais
- IA analisa material genético, sem necessidade de biópsia
- Método também identifica mais de 170 tipos de câncer
Uma nova Inteligência Artificial (IA) desenvolvida por cientistas da Charité – Universitätsmedizin Berlin promete revolucionar o diagnóstico de tumores cerebrais. O modelo, chamado crossNN, consegue identificar mais de 170 tipos de câncer, com precisão de 99,1% para tumores no cérebro, usando apenas material genético dos pacientes.
A inovação surge como alternativa a casos em que realizar uma biópsia se torna muito arriscado. Isso ocorreu com um paciente que buscou ajuda médica devido à visão dupla. O tumor dele estava localizado em uma região crítica, onde qualquer intervenção cirúrgica poderia gerar sérias complicações.
Ao invés de depender de exames tradicionais, como análises histológicas, o modelo crossNN lê a “impressão digital epigenética” do tumor. Essa impressão é composta por milhares de pequenas modificações no DNA que controlam quais genes são ativados ou desligados nas células tumorais.
“Cada tumor carrega um padrão epigenético único, que funciona como uma digital celular,” explica o pesquisador Dr. Philipp Euskirchen, líder do estudo publicado na revista Nature Cancer.
O mais impressionante é que essa leitura pode ser feita a partir de amostras do líquido cefalorraquidiano. Elas são colhidas por meio de punção lombar, um procedimento simples se comparado à biópsia cerebral.

Tecnologia traz mais segurança e precisão para tumores cerebrais
Assim, o time de pesquisadores treinou o modelo com dados de mais de 8.000 tumores de referência e testou em 5.000 amostras. Assim, ele atingiu 99,1% de acerto para tumores no cérebro e 97,8% para tumores em outros órgãos.
Além da precisão, o grande diferencial está na transparência dos resultados. Ao contrário de outras IAs, mais complexas e muitas vezes opacas, o crossNN permite entender claramente como chegou ao diagnóstico, fator crucial para sua aplicação médica.
Em um dos casos, um paciente recebeu o diagnóstico de linfoma no sistema nervoso central após análise do líquido cefalorraquidiano. Dessa forma, isso possibilitou o início imediato da quimioterapia, sem precisar de cirurgia ou biópsia arriscada.
“O sequenciamento genético feito com nanopore foi rápido e preciso. A IA confirmou o tipo exato de tumor, permitindo começar o tratamento certo sem demora,” destacou Euskirchen.
Próximo passo: uso em hospitais
Assim, diante dos resultados animadores, os pesquisadores, em parceria com o German Cancer Consortium (DKTK), já planejam ensaios clínicos com a IA em oito centros médicos na Alemanha. A ideia é incluir também testes durante cirurgias, tornando a tecnologia parte da rotina hospitalar.
“Nosso objetivo é oferecer um método acessível, rápido e extremamente preciso para diagnosticar tumores com base no DNA, sem depender de procedimentos invasivos,” reforçou Dr. Sören Lukassen, coautor do estudo.
Desse modo, se tudo correr bem, a expectativa é que essa IA transforme o diagnóstico de câncer no mundo inteiro. Assim, pode salvar vidas e evitar intervenções desnecessárias.
