- Creatina não aumenta músculos, aponta estudo com treinos controlados.
- Suplemento causa retenção, mas não melhora desempenho muscular.
- Pesquisa sugere que creatina tem benefícios exagerados.
A creatina, um dos suplementos mais populares nas academias, pode não oferecer os benefícios que muitos acreditavam. Um estudo recente da Universidade de New South Wales (UNSW), em Sydney, concluiu que tomar cinco gramas de creatina por dia não aumenta a massa muscular magra durante treinos de resistência.
A pesquisa reuniu 54 participantes saudáveis, com média de 31 anos, que praticavam menos de 150 minutos de exercícios por semana. Eles seguiram o mesmo programa de musculação por 12 semanas. Metade tomou creatina diariamente; a outra metade treinou sem qualquer suplemento.
Antes dos treinos, o grupo da creatina passou por uma semana de “wash-in”, consumindo o suplemento sem alterar a rotina. Nesse período, alguns ganharam peso, principalmente as mulheres, cerca de 0,5 kg em média. No entanto, esse ganho desapareceu quando os treinos começaram, sugerindo retenção de líquidos, e não aumento de músculos.
“Os efeitos iniciais foram apenas acúmulo de água. Quando o treino começou, a creatina não ofereceu vantagem em relação ao grupo controle”, explicou Dra. Mandy Hagstrom, cientista de exercícios e autora sênior do estudo.
Estudo desafia pesquisas anteriores sobre creatina

Pesquisas anteriores apontaram que a creatina poderia aumentar a performance e até combater depressão. No entanto, esses estudos iniciaram o treino e o suplemento ao mesmo tempo, dificultando a distinção dos efeitos. Muitos também ignoraram a retenção hídrica, o que pode ter inflado os resultados.
Além disso, o novo estudo não utilizou a fase de “carregamento”, comum entre praticantes, onde se toma até 25 gramas por dia durante uma semana. Os cientistas evitaram essa prática para reduzir efeitos colaterais, como náuseas e diarreia.
Em 2024, o mercado global de creatina movimentou mais de US$ 514 milhões, segundo a Global Market Insights. Mesmo assim, o estudo da UNSW lança dúvidas sobre seu uso rotineiro por frequentadores de academia.
“O grupo da creatina não ganhou mais músculos do que o grupo sem suplemento, mesmo após três meses de treino”, afirmou Dr. Imtiaz Desai, autor principal da pesquisa.
Ele reforça que a creatina talvez funcione em fases mais avançadas da musculação, quando os chamados “ganhos iniciais” diminuem. Ainda assim, ele alerta: mais pesquisas são necessárias para avaliar benefícios em longo prazo ou com doses maiores.
A equipe de pesquisadores espera que os dados ajudem o público a reavaliar a real utilidade da creatina. Para praticantes casuais de academia, o suplemento pode não entregar os resultados prometidos. Já atletas profissionais, que dependem do controle de peso, talvez precisem ajustar o uso de acordo com objetivos específicos.