- GLP-1, como Ozempic e Mounjaro causa perda muscular e não melhora condicionamento.
- Estudo alerta para riscos à saúde com Ozempic e Mounjaro.
- Aptidão física não melhora com uso prolongado desses remédios.
Medicamentos como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) prometem perda rápida de peso. No entanto, eles não entregam benefícios sustentáveis para a saúde, segundo um estudo liderado pela Universidade da Virgínia (UVA Health).
A pesquisa alerta que essas drogas, da classe dos agonistas de receptores GLP-1, reduzem massa muscular de forma acentuada. Contudo, não melhoram a aptidão cardiorrespiratória — fator essencial para a longevidade.
De acordo com os cientistas, até 40% do peso perdido por usuários desses medicamentos corresponde a massa magra. Ou seja, perde-se músculo e tecidos não gordurosos. A perda muscular em excesso aumenta o risco de doenças cardíacas. Além disso, limita a mobilidade e reduz a qualidade de vida. Especialmente em adultos mais velhos ou já fragilizados.
“Alguns pacientes relatam sensação de que os músculos estão se esvaindo”, afirmou o médico Zhenqi Liu, professor da Escola de Medicina da UVA. “Isso é alarmante. O músculo axial é crucial para postura, função física e bem-estar geral”, completou o autor principal do estudo.
Ozempic e Mounjaro

Outro ponto importante levantado pela pesquisa é que, embora esses remédios ajudem a baixar o peso, eles não aumentam o VO₂max — o principal indicador de saúde cardiovascular. Segundo os autores, esse índice, que mede a capacidade do corpo de usar oxigênio durante o esforço, prediz a mortalidade com mais precisão do que o peso corporal.
O professor Siddhartha Angadi, coautor do estudo, reforçou: “A aptidão cardiorrespiratória é o melhor preditor de morte por qualquer causa, mais do que obesidade ou sobrepeso”. Ele destacou que, em um estudo com quase 400 mil pessoas, o peso deixou de ser relevante quando o VO₂max foi incluído na análise.
Os pesquisadores recomendaram mais estudos clínicos para entender os impactos reais desses medicamentos no condicionamento físico. Além disso, recomendaram estratégias para preservar a massa muscular durante o tratamento. A Associação Americana de Diabetes (ADA) já recomenda triagens para desnutrição e risco de sarcopenia antes da prescrição de qualquer GLP-1.
Os autores também alertaram que exercícios físicos e ingestão adequada de proteínas são essenciais durante o uso de GLP-1. Embora novas versões desses remédios pareçam menos agressivas à musculatura, elas ainda passam por testes clínicos e não estão amplamente disponíveis.
O estudo foi publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism e amplia o debate sobre os riscos do uso indiscriminado dessas drogas. Muitos pacientes adotam sem acompanhamento nutricional ou supervisão médica, movidos pela promessa de emagrecimento acelerado.
Agora, os especialistas pedem mais cautela. “Precisamos garantir que o tratamento para obesidade não comprometa a saúde a longo prazo”, concluiu Liu. O alerta serve para profissionais da saúde, pacientes e para toda a indústria de medicamentos para emagrecimento.
