- Terapia genética faz surdo ouvir e estudo mostra que tratamento funciona também em adultos
- Cientistas corrigem gene OTOF com vírus modificado
- Resultado surge em semanas e muda a vida dos pacientes
Um estudo internacional trouxe esperança para milhares de pessoas com surdez genética. Pela primeira vez, cientistas conseguiram restaurar a audição de adultos que nasceram sem ouvir, usando terapia genética experimental. A pesquisa envolveu dez pacientes, com idades entre 1 e 24 anos, todos com mutações no gene OTOF, responsável por uma forma rara de surdez congênita.
Assim, a equipe liderada pelo Karolinska Institutet, da Suécia, trabalhou em parceria com hospitais chineses para realizar o tratamento. Os médicos injetaram um vírus modificado diretamente na cóclea — estrutura interna do ouvido — com uma cópia funcional do gene. Em menos de um mês, a maioria dos pacientes começou a ouvir.
Terapia genética faz surdo ouvir

O resultado impressionou os pesquisadores. Em apenas seis meses, todos os participantes demonstraram melhora significativa na audição. O nível mínimo de som que conseguiam detectar caiu de 106 decibéis para 52, o que equivale a sair da surdez profunda para a capacidade de acompanhar conversas comuns.
Uma menina de sete anos com implante coclear em um ouvido e terapia genética no outro relatou algo marcante. Após quatro meses, ela disse à mãe: “Posso ouvir o som da chuva pela primeira vez.”
Assim, os cientistas já esperavam bons resultados em crianças pequenas. No entanto, o maior impacto veio dos pacientes mais velhos. Um jovem de 24 anos, surdo desde o nascimento, passou a ouvir após o tratamento.
Dessa forma, isso surpreendeu até especialistas como Lawrence Lustig, da Universidade de Columbia, que não participou do estudo. “Ninguém esperava resultados tão bons em pacientes com mais de 12 anos”, ele admitiu.
Mesmo o participante de 14 anos mostrou ganhos audíveis. O pesquisador Maoli Duan, do Karolinska, afirmou que a melhora na qualidade de vida será profunda. “Essas pessoas agora conseguem se comunicar de forma nova com o mundo ao redor.”
Terapia segura e promissora
A terapia genética se mostrou segura em todos os casos. Nenhum dos participantes teve efeitos colaterais graves. Além disso, o único registro foi uma leve redução temporária de glóbulos brancos em alguns pacientes.
Desse modo, com esses dados, os pesquisadores agora planejam acompanhar os pacientes por até dez anos. Assim, o objetivo é entender por quanto tempo os benefícios da terapia permanecem ativos.
