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- Calor extremo acelera envelhecimento biológico, mostra estudo inovador.
- Altas temperaturas podem desencadear inflamações e aumentar risco de doenças.
- Pesquisadores destacam impacto do calor na expressão genética humana.
O calor intenso pode estar acelerando o envelhecimento do corpo humano. Um estudo revelou que a exposição prolongada a temperaturas elevadas pode aumentar a idade biológica em até 2 anos e 8 meses. Isso significa que, mesmo sem alteração na expectativa de vida, células e órgãos funcionam como se fossem significativamente mais velhos do que deveriam para a idade cronológica da pessoa.
A pesquisa, publicada no renomado Science Advances, foi conduzida por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) e analisou amostras de DNA de 3.686 pessoas com 56 anos ou mais nos Estados Unidos.
Usando relógios epigenéticos, os pesquisadores estimaram a idade biológica dos participantes e compararam os dados com históricos de temperatura de 2010 a 2016. Os resultados indicaram que morar em regiões com dias frequentes de calor intenso pode acelerar o envelhecimento celular.
O relógio epigenético é um biomarcador que estima a idade biológica analisando modificações químicas no DNA, como a metilação, influenciadas por fatores ambientais e estilo de vida
Impacto do calor na expressão genética
Os cientistas explicam que a exposição constante ao calor altera o processo de metilação do DNA, um mecanismo essencial para regular a expressão gênica. Isso pode desencadear reações inflamatórias, acelerar a morte celular e aumentar o risco de doenças associadas ao envelhecimento, como problemas cardíacos, neurodegeneração e menor imunidade a infecções.
Além disso, a pesquisa também apontou que morar em regiões quentes faz diferença. Pessoas que vivem em cidades com frequentes sensações térmicas acima de 32°C, como Phoenix, nos EUA, por exemplo, ou algumas regiões do Brasil, apresentaram um envelhecimento biológico até 14 meses mais avançado do que quem vive em regiões mais frias. Isso ocorre independentemente de fatores como idade, gênero e classe social.
Ao portal O Globo, O epigeneticista Mariano Zalis, professor da UFRJ, destacou que os impactos podem ser ainda mais graves pelas mudanças climáticas:
Os últimos dois anos foram os mais quentes da história, e 2025 começou com recordes de temperatura. O impacto do calor em nossa saúde precisa ser mais bem conhecido e mitigado.
As descobertas reforçam a urgência de medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na população. Adaptação das cidades até investimentos em estratégias de resfriamento urbano, por exemplo, são opções.
