- Primeiro data center da América Latina.
- Será no Brasil, com investimentos de R$ 6 bilhões.
- Foco em segurança tenta reduzir riscos cibernéticos.
A RT-One, multinacional com operações nos EUA, México e Suíça, anunciou nesta semana um investimento de R$ 6 bilhões para implantar o primeiro data center de inteligência artificial da América Latina.
O complexo ocupará 1 milhão de m² na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Maringá, no Paraná, ao lado do aeroporto da cidade. A iniciativa surge em um momento de crescimento acelerado do mercado de data centers na região, projetado em 68% para os próximos anos, segundo estudo da JLL.
Com capacidade para consumir 400 MW de energia, o empreendimento prioriza infraestrutura robusta e segurança digital — desafio crítico no Brasil, segundo colocado em ataques cibernéticos globais.
Fernando Palamone, CEO da RT-One na América Latina, explica que esse é um grande desafio no país:
Enquanto outros países investem maciçamente em IA, ainda enfrentamos limitações de infraestrutura. Nosso objetivo é preencher essa lacuna ao disponibilizar capacidade computacional em um ambiente robusto, seguro e de alto desempenho para aplicações avançadas de inteligência artificial.
O executivo, com três décadas de experiência em gigantes como Intel e IBM, lidera o projeto para tornar o data center uma referência.
Construção do data center mira competitividade global
A escolha de Maringá não foi aleatória. Além dos benefícios fiscais da ZPE, a região oferece acesso a energia estável e recursos hídricos, essenciais para operações de alta escala.
Fontes de energia para alimentar os data centers são um dos grandes desafios atuais, com gigante como Google, além de Amazon e outras, buscando alternativas.
O data center funcionará como um hub para aplicações avançadas de IA, atendendo demandas de cloud computing e reduzindo a dependência de infraestrutura estrangeira.
Nosso propósito é trazer tecnologia de ponta e segurança. Poucos se preocupam com isso hoje, mas será cada vez mais crítico – complementa Palamone.
O anúncio ocorre em um cenário onde 70% das empresas brasileiras ainda subinvestem em proteção digital, segundo a RT-One.
Para especialistas, o projeto pode pressionar concorrentes a elevar padrões, principalmente em setores como finanças e saúde, que exigem compliance rigoroso. Além disso, a ZPE permitirá à empresa competir em custos com polos como Virgínia (EUA) e Frankfurt (Alemanha), onde impostos e tarifas energéticas são mais elevados.
Apesar do otimismo, o desafio persiste: equilibrar inovação com acessibilidade. Enquanto a RT-One promete “preencher lacunas” na infraestrutura local, o mercado aguarda para ver se o modelo atrairá clientes além de grandes corporações.
Com obras previstas para iniciar neste ano, o data center de Maringá pode redefinir não apenas o futuro da IA na região, mas também o papel do Brasil na economia digital global.